Praga de mãe pega. Ja ouviram isso? E é verdade. A vida inteira tive um semi medinho de dentista. Evitava sempre, sei lá porque. Talvez seja o barulho do motorzinho, a vulnerabilidade de deitar na cadeira com a boca aberta, não sei. O fato é que quando comecei a amadurecer e a época fatídica da remoção do dente do siso foi se aproximando foi como um pesadelo pra mim. E eu, uma empurradora de problemas com a barriga profissional, fiz o que eu faço de melhor. Fugi do compromisso. A ideia de alguém arrancar o meu dente, as historias que já tinha ouvido de martelos e britadeiras tentando extrair um pedacinho de osso do meu corpo, o pânico silencioso daquela cadeira  e daquele consultório foram suficientes para que eu trocasse de dentista umas dez vezes nos últimos anos. E a minha mãe sempre falava “vai ver esse dente menina!”. 

Ha mais ou menos dois meses atras o infeliz começou a doer. Doer muito. Não conseguia nem manter uma conversa civilizada de tão grande o mau humor estava por causa da dor. Fui ao dentista e foi constatada a inflamação no siso. Diante da minha situação de tratamento quimioterapico, não foi recomendada a extração. Tomei antibiótico, antiinflamatório e a vida voltou ao normal. Ate esqueci isso. No final de semana passado sinto a pontada de novo. Afe, que saco esse negocio!! Eu sempre pensei em dor de dente como sendo uma coisa de avo, ou de interior, ou de pessoas que não tinham acesso a dentistas… Enfim, como uma coisa muito, muito distante de mim, e lá estava eu, sofrendo deste mal. 
Foi por isso que sumi na semana passada. A dor de dente parece que se aprofunda no osso, e dói o rosto inteiro, credo! Felizmente já estou medicada com mais antibiótico e mais antiinflamatório, e consequentemente sem dor. Agora é só torcer pra esse dente ai aguentar ate depois da minha cirurgia (que deve acontecer em julho), porque ficar tomando remédio direto não da né? 
E eu, sentada na mesa do almoço, me contorcendo para mastigar sem doer, ainda escuto da minha mãe “te falei pra ir olhar esse dente, não me escuta…”. É, praga de mãe pega…
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