Primeiro de tudo quero agradecer muito todos os emails e mensagens no face. Sei que muitas vezes não consigo responder tão entusiasticamente assim mas isso não significa que não tenha sido de extrema importância recebe-lãs!

Ontem foi a minha segunda quimio, que rolou mais ou menos parecida com a primeira, então não tem muito o que falar aqui além de como eu passei estes últimos 21 dias…
Basicamente eu sai do hospital sem saber bem o que esperar. Na primeira noite dormi as 3 da manha (vendo BBB, contribuindo para a cultura brasileira!) e acordei as 6:30 com uma energia suficiente pra correr uma maratona! Pra quem não me conhece bem, preciso explicar: nunca, na minha vida, em nenhuma hipótese eu tive energia suficiente pra correr uma maratona, e muito menos acordei as 6:30 da manha de livre e expontânea vontade!!! Enfim, passei os próximos dias basicamente deitada na minha cama esperando a fase do “inferno” começar, fase esta que não veio. Não tive enjôo, náusea, aftas infinitas, febre, nada! Só a maldita insônia por 4 dias e com ela um cansaço chato também pelo mesmo período. 
Outra coisa que aconteceu depois da primeira quimio foi que eu percebi que estava vivendo com uma bomba relógio no meu corpo e que eu não podia fazer absolutamente nada a respeito. Não, não estou falando do tumor, e sim do meu cabelo. Ele estava com os dias contados, eu não sabia exatamente quantos, o que era ainda mais enlouquecedor, mas o fato é que estava. Pra amenizar, fui ao salão e cortei o meu cabelo, nunca antes menor que 30 centímetros, em um chanel estiloso (após minha Cabelereira gentilmente dizer que eu não ia ficar igual a Scarlet Johanson de cabelo curto), e fui viver minha vida. O desfecho desta história é assunto para outra hora.
Nao menos importante, tive também nos primeiros cinco dias muita prisão de ventre. Talvez eu devesse guardar isso pra mim, mas a esse ponto, who care’s? Sei que a minha mãe fez a receita milenar de colocar duas ameixas secas em um copo com água, deixar por um tempo pra eu depois tomar a água, e não é que funcionou? Maravilha!
Hahahahahahaha mentira. Quisera eu ser tão tranqüila assim quando se trata de beber águas nojentas com cara de esgoto. Depois de umas 3 ou 4 águas preparadas (e não consumidas) ela desistiu. Eu tinha pesadelos intensos com as ameixas. As vezes não queria voltar pra casa pra não ter nem que olhar pra elas. Aquele copo de água ferrugem era um fantasma me assombrando. Quimioterapia, ok! Manda pra dentro. Água de ameixa? Não, muito obrigado. Aparentemente esta é a minha lógica. No final a coisa toda se resolveu por si própria e eu espero que este exu em forma de chá?, bebida?, nunca mais apareça no meu criado mudo.
Sei que minha conclusão desta coisa toda foi que o mundo é muito sensacionalista. Quimioterapia é uma merda? Sim. Mas não é tudo isso que a gente imagina. Como o meu oncologista disse no primeiro dia, e eu reitero: não é que nem no Laços de Família. Muito menos que nem no Grey’s Anatomy (se bem que um casamento surpresa no final poderia ser um toque bem genial!). As ondas de mau humor vem, e é pesado. Desculpa mamãe, papai, Rafa e principalmente Flávia pelas ligações ignoradas. Mas elas também vão embora. 
E no final das contas, quando se para pra imaginar a maravilha que estes remedinhos fortes estão fazendo em mim…tem como não amar?
Até onde você iria por uma chance de nascer de novo? Vocês eu não sei, mas isso aqui é fichinha perto de tudo o que eu estaria disposta. 
 
Uma madrugada, uma dentre muitas mensagens que recebi mexeu comigo, por muitas coisas que já foram respondidas em particular, mas principalmente pelas linhas a seguir :
 
“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, 
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem”
Guimarães Rosa
 
E é isso aí…
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