…e isso foi o que aconteceu, agora sobre como eu estou. Não consigo entender o porque de isso estar acontecendo comigo. E nenhum medico consegue me dar essa resposta. Tem gente que fala que é estilo de vida. Tem gente que fala que é magoa guardada, problema não resolvido. Eu pessoalmente acho que isto é bobagem. Eu não causei isso pra mim mesma. Mesmo que inconsciente. É só uma coisa que aconteceu e que, por enquanto, não tem explicação. E nessa falta de explicação é que esta a importância que todas as pessoas da família se examinem, contem para seus médicos o que aconteceu. E pessoas fora da família também. E muito importante, é serio. A minha preocupação e o meu diagnostico são os fatores condicionais para a minha chance de me tratar. De me curar. Sim, hoje em dia tem muitos recursos, mas se a gente não for no medico, não se preocupar em receber um diagnostico correto, de que adianta? Muitas pessoas falam que na vida a gente só tem o que pode agüentar, e eu acho que é verdade mesmo. Eu estou muito, muito bem com o meu diagnostico, com o meu câncer. E uma doença seria, mas tratável. Na mama ainda, que não é um órgão vital e não vai me fazer falta. E eu ainda por cima tenho acesso aos melhores médicos, tratamentos. Por tudo isso eu não me considero uma pessoa de azar por estar dentro de uma estatística rarissima, e sim uma pessoa de muita, muita sorte por ter um câncer com um nível de cura altíssimo, por ser super saudável e poder fazer até os tratamentos mais agressivos, por não ser uma doença que precisa amputar uma perna, um braço, coisa que seria muito difícil de aceitar. Peito a gente compra outro melhor. Cabelo também, eu nunca gostei muito do meu mesmo…quem sabe não nasce loiro e liso natural da próxima vez.
Tudo isso não significa que eu tenha um coração de pedra e nenhum sentimento. Eu tenho medo sim, mas cada dia menos. E eu tenho mais que confiança. Eu SEI que vai ficar tudo bem. Não sei como nem porque, mas eu somente sei. Da mesma maneira que eu sabia que não era um simples cisto quando comecei a fazer os exames, não achei que fosse câncer, mas senti que era alguma coisa grave.
Eu não estou deprimida, chorando em casa. Alias, eu chorei muito pouco, porque não vejo a coisa todo como uma desgraça, e sim como mais uma oportunidade, ou até prova, que a vida me deu para eu saber mais sobre mim mesma. “Pra eu provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém.” No começo eu pensava “eu não sei se eu vou viver ou se eu vou morrer” mas a verdade é: quem de vocês sabe? O que eu já pensei é que estatisticamente minhas chances estão até melhores, porque do câncer eu vou me curar, e qual a chance de um raio cair duas vezes no mesmo lugar?? Portanto eu só peco uma coisa: não tenham pena de mim. Não quero ser associada a lagrimas e tristeza, é deprimente demais pro meu gosto. E se eu estou bem, porque todo mundo não vai estar também? Talvez essa seja a hora de redefinir sonhos, aprender muito, cair na real, deixar de fazer o que odiamos fazer…pra todos nós. Como disse steve jobs, diagnosticado com câncer “we are already naked, there is no reason not to follow your heart”. E isso faz muito sentido pra mim agora.

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