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Os efeitos que percebi depois da segunda e da terceira quimioterapia foram um pouco diferentes do que eu senti na primeira. Nao tive mais insônia nem nada (graças a nossa senhora da água de ameixa!). Continuei sem náusea, enjôo e outros sintomas típicos… O que senti foram três coisas muito especificas:
1) Mal estar, normal, acho que todo mundo sentiria
2) Gosto estranho na boca, até aí normal, só que eu senti um gosto doce, o que já nao sei se é tão comum. E aí tudo ficava doce. O que parece bom, mas na verdade nao e muito nao. Tipo, bolo doce? Delicinha! Água no meio da noite doce? Meio estranho. Bife com arroz doce? Urgh blarg ergh yerrgh!!!!
3) Sensação estranha no estômago. Nao é enjôo, nao perdi meu apetite, nao quero vomitar. É so uma sensação esquisita. Sabe quando os gatos, do nada, dão uma engasgada e quando você vê eles cuspiram, ou vomitaram, sei lá, uma mega bola de pelo? Pois é. A minha sensação é que tem uma mega bola de pelo dentro do meu estômago. As vezes ela da um passeio até a garganta, mas nao como se fosse vomitar nao, so da uma passeada. Aí volta de novo pro estômago.
A boa noticia, o spa aí em cima é fichinha perto do que eu podia estar passando, e so dura quatro dias. É pouquíssimo tempo. Eu posso fazer qualquer coisa por quatro dias. E aí passa e eu fico normal. Bom, não sei bem o que é normal. Aí eu fico eu. Saio, como, danço, bebo e vivo uma vida completamente normal.
O psicológico fica afetado as vezes, mas bem conforme os textos que eu escrevo aqui, eu tento ficar positiva. Sei que vai ficar tudo bem, principalmente agora que já tenho provas concretas de que o tratamento esta funcionando, mas as vezes o meu mau humor faz eu me perguntar o porque de eu precisar de tratamento. O porque de isto estar acontecendo comigo. Nunca fiz mal para ninguém, pelo menos não intencionalmente. Então por que? Justo eu… Será que existe carma? Ou então o universo está tentando testar a minha paciência? E é com esse tipo de pensamento que um dia que eu chamo de “azedo” se preenche. Mas eu faço de tudo pra que estes dias sejam raros. Eles não vão me ajudar, mudar a situação, fazer ninguém se sentir melhor. Reclamar faz parte, e é até bem gostoso de vez em quando, mas limito ao máximo.
A minha vida esta meio que entrando numa rotina agora. Até um remoinho atras eu pensava sobre câncer o dia inteiro. Não esquecia em nenhum momento da minha vida o que eu tava passando. Não deixava de fazer nada por causa disso, nem me afetar negativamente, mas era sempre uma presença na minha cabeça. Agora não mais. Parece que eu finalmente digeri a situação. Ainda tem momentos que eu paro e penso: “Como assim eu estou com câncer???” É meio bizarro, não me sinto doente, me sinto normal. Estou normal. Quem convive no dia a dia comigo deve pensar a mesma coisa. Acho que o que eu quero dizer é que a coisa parece muito pior e mais assustadora do que ela realmente é, pelo menos no meu caso, e pelo menos por enquanto.
Quinta feira que vem é a minha quarta quimio, e a ultima vermelha, que é a do remédio mais forte. Estou muito, muito feliz que essa pior parte está prestes a acabar. E mais feliz ainda de ter percebido como tenho pessoas maravilhosas na minha vida. Cada um está presente da maneira que pode e que consegue, e todo mundo contribui pra que eu esteja assim, tão bem. Obrigada a quem lê aqui, obrigada a quem manda energias, reza e pergunta como estou, obrigada a quem me manda mensagens no Facebook e principalmente obrigada a quem agüenta os meus dias “azedos”, e está do meu lado pra comemorar todos os dias.

Juro, é uma das coisas mais legais que já inventaram. Não estou sendo sarcástica, prometo.

Imagina a situação: Você vai lá, recebe uma noticia bombástica (CÂNCER! Uau!) e acredita que é uma sentença de morte, e fica mal, bem mal…afinal, quem quer morrer?
Aí você faz um tratamento mala, com direito a depilação capilar completa, gosto adocicado na boca e mal estar 4 dias por mês. Que cenário é esse? Que coisa horrorosa, né?

Mas aí chega o dia de fazer o ultra-som de controle, e quando a Dra. Aline (medica agendada para o meu exame, e uma fofa!) começa a olhar suas imagens ela diz “Nossa! Diminuiu muito!”, e aí o seu cirurgião diz “Nossa, tem chance de sumir completamente, parabéns!” E tudo o que você pensa é “YAAAAAAY! Tá funcionando!!!!”.
Aí esse dia chega.
E aí, você descobre que quimioterapia é demais. Uma felicidade igual a essa é muito difícil. Vale muito a pena, viver vale muito a pena. Lutar pra viver sempre compensa, até quando parece que não.
Quando a gente nasce, imediatamente só quer mesmo é pensar em chorar, somos tão pequenos, fomos tirados do mundinho que conhecemos, não dá tempo de agradecer. E depois a gente esquece. E fica tão preocupado em sobreviver que se esquece da vida em sí. Esse foi o maior presente já dado, a vida. E existe a chance de finalmente se ter gratidão por ele. E principalmente de se aproveitar (porque o presente é meu, eu faço com ele o que eu quiser!). Poucas pessoas tem essa chance. É uma felicidade que não da pra explicar.
Como é bom fazer um exame, ir ao medico, e receber boas notícias.  Depois do ultra-som, quando eu caminhava sozinha para pegar o carro no valet do hospital, eu tive que me controlar pra não saltitar pelo caminho! Diminuiu muito!  Quando eu sentei no banco esperando o carro chegar, algumas lagrimas, que até agora eu tinha eficientemente evitado, caíram dos meus olhos. Ta funcionando, ta funcionando!!! E ali, meio chorando, meio rindo, meio comendo a empadinha de frango que eu achei que merecia para a ocasião, uma senhora do meu lado me perguntou se estava tudo bem, me ofereceu água. Minha vontade era dar um beijo nela de tanta empolgação! Mas eu só disse que estava tudo bem, tudo ótimo. Então agora, saindo da minha terceira quimio (acho que virou tradição escrever em dia de quimio!) estou assim em casa: tudo bem, tudo ótimo!
Não é a cura. Tem um caminho longo, muito longo, e meio mala até ela. Mas é uma boa noticia. É uma vitoria. É um baby step. E é tudo culpa da quimioterapia, sua linda!

Hoje foi o meu primeiro dia de quimioterapia (dia 10/01). Tem algumas horas que acabou já, e eu estou em casa assistindo Big Brother. A coisa toda, o bicho de sete cabeças, é o seguinte: fui lá, conversei com uma enfermeira gente boa, com uma nutricionista gente boa, ela pegou uma veia na minha mão,pendurou diversos sacos de medicação ao longo do tempo como se fosse soro, e só. O quartinho da quimio tem tv a cabo, internet, uma cama confortável e um garçom que trás o que vc quiser, a hora que vc quiser pra comer e beber. Considerando que aqui, na minha cama eu tenho tudo isto, menos o garçom, acho que eu estava melhor lá!!! Mas falando serio, eu não senti nada, nem enjôo, fraqueza, veia queimando, sono, hiperatividade. Nada. Tem uma chance que eu sinta um leve enjôo nos próximos dias mas já tenho medicação pra isso. E se alguém está pensando: não, não estou careca ainda. O cabelo demora a cair e não sei que dia vai acontecer, mas podem todos irem se acostumando com a idéia. Mas também não venham me dizer que o cabelo é o de menos, porque não é. Mas eu já me conformei e já estou até ansiosa para colocar meu cabelo novo (muito melhor que o meu pixaco por sinal)!
Então é isso! Todo mundo pode voltar ao normal comigo (contanto que não tenham pena, nem digam que a queda do cabelo é o de menos, lembrem-se! Posso ser agressiva com uma excelente desculpa a partir de agora!) Claro que buscar água, coca e lanchinhos pra mim, fazer mordomias, me dar lenços maravilhosos para cobrir minha cabeça imensa de presente, são sempre atitudes bem vindas! Hahaha mas não mandatorias..
Fiquem todos bem, porque eu estou bem, não tenham medo de dizer a palavra câncer, dou mais notícias em breve e como diriam minhas companheiras de diagnóstico: Força na peruca!!!!!!!

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